Nova Friburgo e a indústria brasileira de moda íntima

Sutiã Longo com Aro na cor bege, vista de frente, usado por uma modelo gerada por IAi

Em junho de 2024, uma lei federal deu a uma cidade da serra fluminense um título curioso: Capital Nacional da Moda Íntima. A cidade é Nova Friburgo. O título não criou uma indústria; reconheceu uma que já estava lá havia muito tempo. E é uma boa porta de entrada para uma parte da economia brasileira que pouca gente fora do país conhece.

Uma cidade fundada por colonos suíços

Nova Friburgo fica na serra do estado do Rio de Janeiro, a cerca de 136 quilômetros (aproximadamente 85 milhas) da capital. Foi planejada em 1818 como colônia, e entre 1819 e 1820 chegaram cerca de 265 famílias suíças. Elas deram à cidade o nome de Fribourg, a terra natal da maioria. Famílias alemãs vieram depois, em 1824.

Os têxteis passaram a ser centrais na economia local por volta de 1910, quando industriais alemães fundaram ali grandes fábricas de tecidos, com máquinas importadas da Alemanha. Hoje, as principais atividades econômicas da cidade ainda incluem a moda íntima, ao lado de têxteis, confecção, metalurgia, horticultura e criação de cabras. A população era de 189.939 habitantes em 2022.

A lei e os números por trás dela

O título vem da Lei 14.883, sancionada em 11 de junho de 2024, depois que o projeto passou pelas duas casas do Congresso Nacional. A Comissão de Educação do Senado aprovou o projeto em maio de 2024, e as agências de notícias das duas casas publicaram os mesmos números a favor:

  • cerca de 114 milhões de peças produzidas na cidade por ano;
  • cerca de 20 mil empregos no município, 10 mil diretos e 10 mil indiretos, segundo o sindicato local da indústria do vestuário;
  • 160 lojas de moda íntima, moda fitness, moda praia e pijamas.

As duas reportagens datam o número de produção de formas diferentes, uma com dados de 2017 da associação brasileira da indústria têxtil e a outra com dados de 2019, então leia os 114 milhões como uma ordem de grandeza, não como uma contagem atual.

Nova Friburgo também recebe a Fevest, uma feira anual que a agência de notícias da Câmara dos Deputados descreve como a maior feira de moda íntima da América Latina. A reportagem do Senado acrescenta que o polo de confecção da cidade responde por uma grande parte da produção de moda íntima do estado e do país.

Um polo entre vários

Nova Friburgo tem o título federal, mas não é o único centro. O Sebrae Santa Catarina, braço estadual do serviço brasileiro de apoio às pequenas empresas, chama a cidade de Ilhota de “capital catarinense da moda íntima”.

Os números do Sebrae para o país como um todo, tirados da associação da indústria têxtil, a ABIT, são grandes: o Brasil produz cerca de 1,5 bilhão de peças de moda íntima por ano, num mercado de cerca de R$ 3,6 bilhões por ano.

A indústria como um todo

A moda íntima é um segmento de uma indústria têxtil e de confecção muito maior. A ABIT informou em janeiro de 2025 que o setor reúne 25,3 mil empresas com mais de cinco funcionários e 1,3 milhão de empregos diretos, com receita de R$ 203,9 bilhões em 2023 e estimativa de R$ 215 bilhões em 2024. A produção do segmento têxtil cresceu 4% entre janeiro e novembro de 2024, e a de confecção cresceu 3,8%. A ABIT descreve a indústria têxtil e de confecção brasileira como a quinta maior do mundo.

Por que isso importa para quem compra

O Brasil não é novato em fazer roupa íntima e peças modeladoras. Tem uma indústria nacional grande o bastante para ter suas próprias feiras, seus polos regionais e, agora, um título federal para uma de suas cidades. Quando você compra uma peça feita no Brasil, é dessa indústria que ela vem.

As peças da Bellcorpus também foram feitas no Brasil, mas este artigo é sobre a indústria, não sobre nós, e nenhum dos números acima descreve a nossa própria produção. Nossas peças são feitas no Brasil e seguem a grade brasileira, por altura e peso, que o Guia de Tamanhos explica. Para ver uma de perto, comece pelo Sutiã Longo com Aro, ou veja tudo na loja.

Fontes