Do espartilho às peças modeladoras: uma breve história da silhueta lisa

Body Tomara que Caia com Colchetes Frontais na cor bege, vista de frente, usado por uma modelo gerada por IAi

A peça usada por baixo de um vestido justo já teve muitos nomes: corpete, espartilho, corselete, cinta, peça de base, modelador. O objetivo dela continua reconhecível há séculos: uma silhueta mais lisa sob a roupa de cima. O que mudou, de novo e de novo, foi o material, e cada mudança deixou a peça mais fácil de usar no dia a dia.

Uma ideia antiga

A imagem mais antiga que se conhece de uma peça moldada ao tronco está numa estatueta minoica de cerca de 1600 a.C. Ela não era roupa de baixo: era usada por cima e deixava os seios à mostra. A ideia de dar estrutura à roupa em volta do tronco é muito mais antiga do que o espartilho como o imaginamos.

A palavra é mais nova. Em inglês, “corset” vem do francês antigo cors, que quer dizer corpo; ou seja, um corset é, literalmente, um “corpinho”.

Corpetes e barbatanas de baleia

No século XVI, as mulheres europeias começaram a usar peças chamadas de “pairs of bodies”, ou stays. Eram feitas de camadas de tecido, como linho e seda, engomadas e reforçadas com barbatana de baleia. Uma peça plana chamada busk, de madeira, marfim, metal ou barbatana, era encaixada na frente para mantê-la reta.

A barbatana de baleia continuou sendo o principal material de reforço durante todo o século XVIII. A forma vinha de tiras rígidas presas entre camadas de tecido.

O aço muda o espartilho

O século XIX trouxe o metal. O ilhós de aço foi inventado em 1827 e permitiu amarrar o espartilho com mais força sem rasgar os furos do cordão. Nos anos 1830, as barbatanas de aço começaram a substituir as de baleia.

O mesmo século trouxe uma mudança que qualquer pessoa que já brigou com um fecho nas costas vai entender. Na era vitoriana, surgiu o busk dividido no centro da frente, que permitia fechar o espartilho com botões ou ganchos na frente. Como a peça agora podia ser vestida e tirada pela frente, ficou mais fácil usá-la sem alguém para ajudar a amarrar as costas.

Essa ideia continua em uso. O Body Tomara que Caia com Colchetes Frontais e a Calcinha Cintura Alta com Colchetes Frontais fecham com uma fileira de pequenos colchetes no centro da frente, para você mesma fechar, na frente do espelho.

A cinta e a chegada do elástico

A partir dos anos 1890, a forma do espartilho começou a mudar: ficou mais longa, com mais atenção à cintura e ao alto das coxas. Daí nasceu a cinta: uma peça justa em volta da parte de baixo do tronco, descendo abaixo do quadril, feita de tecido elástico e às vezes fechada com colchetes.

O material que tornou isso possível foi o elástico emborrachado. As fontes variam um pouco na data: uma situa seu desenvolvimento em 1911, outra liga sua difusão aos anos em torno da Primeira Guerra Mundial. De qualquer forma, as mulheres passaram a usar dois novos tipos de peça de base, a cinta com elasticidade nos dois sentidos e o sutiã com bojo, ambos mais confortáveis do que o espartilho com barbatanas que substituíram.

Nos anos 1920, o espartilho já tinha saído da moda na Europa e na América do Norte, substituído por cintas e sutiãs. Os motivos eram tanto práticos quanto de estilo: as mulheres estavam mais ativas fora de casa e no mercado de trabalho, e precisavam de roupas mais simples.

Menor, e depois deixada de lado

A cinta continuou se adaptando. Nos anos 1960, uma cinta-calcinha mais compacta foi criada para combinar com saias mais curtas. Depois chegou a meia-calça, mais confortável do que a cinta e sem precisar de presilhas para segurar as meias. Em 1970, a cinta já tinha sido, em geral, substituída pela meia-calça.

O elastano e as peças modeladoras de hoje

O material por trás das peças modeladoras modernas foi inventado em 1958 por um químico da DuPont. O elastano, também chamado de spandex e vendido com nomes como Lycra, estica até cinco vezes o próprio comprimento e volta à forma original. Por uma estimativa, cerca de 80% das roupas vendidas nos Estados Unidos em 2010 tinham algum elastano.

Hoje o elastano é o principal material elástico citado nas peças de base, das calcinhas de controle aos modeladores de corpo inteiro. O século XXI viu uma grande volta das peças modeladoras, ajudada por novos tecidos e pela construção sem costura, e as peças modernas são muito mais confortáveis do que as baseadas no espartilho do século anterior. As peças de base de hoje costumam ser feitas para deixar o mínimo de marcas visíveis sob a roupa, que é o mesmo objetivo para o qual os corpetes do século XVI foram feitos.

O que atravessou o tempo

Coloque a história lado a lado e o padrão fica claro. O objetivo quase não mudou: uma silhueta mais lisa sob a roupa. Os materiais mudaram muito, do linho engomado e da barbatana de baleia ao aço, ao elástico emborrachado e a uma fibra que estica e volta sozinha. Algumas ideias sobrevivem de muito antes, como os colchetes na frente que deixam você se vestir sem ajuda.

Se você tem curiosidade de ver como essas ideias antigas aparecem numa peça que você pode usar hoje, dê uma olhada na loja.

Fontes